terça-feira, 24 de março de 2009

Violência contra o idoso

Um estudo revela que de todas as formas de violência doméstica contra o idoso, a mais freqüente é a de natureza física, ou seja, danos e lesões corporais ocasionados pelos próprios filhos da vítima, já que, em 50% dos casos registrados, segundo a pesquisa, referida violência é praticada por familiares próximos da família.
Para se ter uma idéia da dimensão do problema, assim como a década de 60 serviu para tomarmos consciência do maltrato infantil e a década de70 o maltrato exercido sobre as mulheres, os brasileiros somente despertaram interesse pela questão da violência social como um todo e suas implicações para a saúde, a partir da década de 80, passando o problema despercebido nos anos que se antecederam, quando se fizeram inúmeras vítimas.

O problema também é grave mundialmente, no que se refere aos Estados Unidos e ao Canadá, países onde foram registrados maus-tratos contra os idosos no final da década de 80, através de publicações feitas no ano de 1975, pela Inglaterra, o que fez com que o interesse de outros países despertasse pelo problema, onde se iniciaram algumas investigações individuais sobre o tema.

A partir do século 20, o problema deixou de ser particular e familiar, para tornar-se uma grande responsabilidade dos governos, da sociedade e principalmente da saúde pública, uma vez que o aumento da doença e da mortalidade como conseqüência da violência tem ganho proporções alarmantes, ao ponto de ser “premiada” com o segundo lugar na classificação internacional de doenças feita em 1993, e citada por Minayo, podendo, inclusive, ser observado através do aumento da demanda nos serviços de saúde, seja em postos de saúde, em consultas externas ou em unidades de emergência.

Voltando ao problema no Brasil, o que se observa atualmente é que diversos profissionais, incluindo os geriatras, vem desenvolvendo trabalhos no sentido de alertar e sensibilizar os governos, a comunidade, e os próprios idosos, a despeito da problemática do envelhecimento populacional exacerbado e as conseqüências dessa realidade social, que nos leva a observar que os idosos, em sua maioria pessoas frágeis e vulneráveis, conseqüência da perda e/ou diminuição das capacidades sômato-funcionais, mesmo psíquicas, são maltratados em seus direitos básicos, como por exemplo a convivência com a família, saúde, trabalho, pensões e recreação.



A violência contra os idosos extrapola, há tempos, os limites da convivência social, eis que já faz parte de seu dia a dia, pois onde quer que o idoso esteja, na grande maioria das vezes sofre algum tipo de maltrato, por mais simples que seja, revelando, desta feita, conflitos de relações interpessoais que afetam a convivência pacífica, a solidariedade humana e conseqüentemente a qualidade de vida das pessoas.




É um absurdo pensarmos que o idoso, que estão sujeitos à escassez de políticas sociais, a acidentes de trânsito, a assaltos e conflitos familiares e comunitários, assim como nós, esteja desamparado quando sofre com o problema social do maltrato.

A violência que assola o idoso, que como já vimos não é um feito novo na sociedade, mas histórico, que vem crescendo em proporções alarmantes; para muitos é motivo de silêncio, eis que poucos tem coragem de denunciá-la, e os próprios idosos, vítimas, também estão impedidos de fazê-lo, levando em consideração que são, na maioria das vezes, dependentes dos agressores, o que gera insegurança, além de serem limitados fisicamente e temerem uma represália por parte do familiar agressor.

Considerado “ranzinza, caduco, esclerosado, inválido, improdutivo”, o idoso sofre abusos que vão se consumando através do descuido, da omissão, das ofensas, sejam elas funcionais ou físicas, bem como através da posição de abandonado que o mesmo enfrenta na sociedade. Ademais, não tenhamos dúvida de que o problema da violência doméstica contra os idosos é um tema de grande complexidade para ser investigado, e contém aspectos importantes, como as condições de vida dos familiares, os aspectos sociais e os valores e princípios morais construídos ao longo da vida, sem contar que o problema fere a dignidade das vítimas, bem maior da existência de toda a vida.

Diante das primeiras considerações tecidas, sentindo o peso da responsabilidade no campo ético, no ponto de vista de cidadãos que desejam valorar a qualidade de vida dos idosos, explanaremos sobre o problema da violência contra os mesmos, alertando a sociedade da gravidade das conseqüências dos maus tratos sofridos, caracterizando os tipos de violência praticada e analisando as implicações dessa violência para a saúde dos idosos.


1. A situação do idoso no Brasil:
O crescimento vertiginoso da população idosa no Brasil nos leva a refletir sobre a falta de infra-estrutura e políticas sociais voltadas para o bem-estar das pessoas na faixa etária acima dos 60 anos, o que culmina com o aumento dos maus-tratos sofridos pelos mesmos.

Segundo pronunciamento da Senadora gaúcha Emília Fernandes, Iniciamos o novo século com a população idosa crescendo 8 vezes mais que os jovens e quase duas vezes mais que o resto da população, sendo que, atualmente, os idosos já ultrapassam os 13 milhões, e a previsão é de que este número dobre nos próximos 20 anos.

2. Dos tipos de maltrato:
São dois os tipos de maltrato:

ABUSO: É a ação de infligir dano físico, dor ou angústia mental, ou mesmo privação de alimentos ou serviços necessários para evitar dano físico, mental ou angústia.

NEGLIGÊNCIA: É a deficiência do cuidador para proporcionar os serviços necessários com a finalidade de evitar um dano físico, angústia ou dano mental.

3. Classificação:
Os maus-tratos sofridos pelos idosos podem ser classificados da seguinte forma:

A- Maus-tratos físicos: Lesões repetidas pouco justificáveis, queimaduras, feridas, erosões, hematomas, fraturas, etc;

B- Maus-tratos psíquicos: Agressões ou insultos verbais, o silêncio como causador do dano, ameaças ou censuras, desprezos e isolamentos da pessoa, suas idéias e vontades;

C- Maus-tratos econômicos: Roubo de bens e imóveis, saques de dinheiro com cartão mediante fornecimento de senha pelo idoso, privação ao idoso de seus próprios pertences, mal uso dos bens do idoso.

4. Perfil dos agressores:

No que se refere às características dos agressores, os filhos mais velhos se destacam como os agressores de todos os tipos de maus-tratos, seguidos pelas filhas e pelos genros. Com isso, podemos concluir que de uma maneira geral, os homens agridem mais que as mulheres.

Com relação à idade dos agressores, as faixas de maior freqüência foram dos 34 aos 39 anos, seguidas dos 29 aos 34 anos, e na minoria os agressores com mais de 49 anos. Em outras palavras, a grande maioria dos agressores possuem idade superior aos 29 anos, sendo que no que concerne à relação de idade e sexo, o agressor do sexo feminino possui mais de 34 anos.

A maioria dos agressores vivem com as vítimas, e dependem delas financeiramente, o que fortalece a idéia de que o fator econômico está associado ao abuso.

Com relação à posição dos agressores no mercado de trabalho, mais da metade delas não trabalha, portanto são desempregados, sendo que a grande minoria é aposentada, e a parte restante exerce algum tipo de trabalho.

5. Freqüência dos maus-tratos:

Sobre a freqüência dos maus-tratos podemos afirmar que os mesmos ocorrem freqüentemente em metade dos casos de idosos vítimas, e várias vezes nos demais casos, resultado este que nos induz a pensar que os maus-tratos não ocorrem isoladamente em situações de estresse, emoção ou pressão psicológica, mas indicando uma atitude de dominação e intenção premeditada do agressor.

Quem mais denunciou a violência sofrida foram os próprios idosos, mas os independentes, que são aqueles que vivem sozinhos em suas próprias casas, ou mesmo em asilo e nos hospitais, e em contrapartida, os idosos que convivem com companheiros, apesar de também serem livres, denunciam somente porque acabam sendo movidos pelo medo e pelo sofrimento, depois de muitas agressões e ameaças sofridas, onde decidem denunciar, após muito terem adiado.

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